Open Finance é seguro? Entenda o consentimento

Entenda como o Open Finance compartilha dados, onde conferir o consentimento e como revogá-lo. Veja também a diferença entre conexão e registro manual.

Atualizado 30 de setembro de 2026

O Open Finance é um sistema regulado pelo Banco Central para compartilhar dados e oferecer serviços entre instituições, com autorização do cliente. Para avaliar uma conexão, confira quem receberá os dados, para quê e por quanto tempo. Você pode revogar o consentimento; conectar uma conta é uma escolha, não uma exigência para organizar seu orçamento.

O que o Open Finance faz

Segundo o Banco Central, o sistema permite levar informações financeiras de uma instituição a outra e usar serviços de pagamento em diferentes plataformas. A comunicação ocorre por interfaces padronizadas, chamadas APIs. Não se trata de colocar todos os dados bancários em um banco de dados central do BC.

O compartilhamento pode abranger informações cadastrais, contas, cartões, crédito e outros produtos, conforme a autorização. Há também serviços de iniciação de pagamentos. Por isso, ler o pedido específico é mais útil do que presumir que qualquer conexão permite a mesma coisa.

Imagine que você queira reunir os gastos de duas contas em um aplicativo. Antes de autorizar, verifique se o pedido corresponde à consulta de dados de que precisa. Uma autorização para acompanhar movimentações e uma autorização ligada a pagamentos têm finalidades diferentes, que devem aparecer no processo.

Quem define as regras e quem participa

O Banco Central regula e supervisiona o Open Finance no Brasil. A estrutura de governança do sistema organiza padrões técnicos e operacionais. As instituições participantes precisam cumprir os requisitos aplicáveis; confira a instituição envolvida nos canais oficiais do BC e do Open Finance Brasil.

Uma marca de aplicativo pode utilizar a infraestrutura de outra empresa para realizar a conexão. Nesse caso, procure identificar ambos os nomes: o serviço que você escolheu e a instituição que aparece no consentimento. A menção ao Open Finance em uma página comercial não dispensa essa conferência.

Essas regras descrevem o funcionamento do sistema. Para decidir sobre um aplicativo específico, leia também suas condições de uso e sua política de privacidade, especialmente as informações sobre tratamento dos dados recebidos.

Como conferir o consentimento antes de aceitar

A jornada envolve três etapas: o pedido de consentimento, a autenticação na instituição que guarda os dados e a confirmação. Você começa no serviço que deseja usar e confirma sua identidade no ambiente da instituição de origem. O serviço destinatário não deve receber suas credenciais de autenticação nesse fluxo.

Na tela de autorização, confira:

  • Quem receberá as informações e de qual instituição elas sairão.
  • Quais contas e categorias de dados serão compartilhadas.
  • Qual é a finalidade apresentada e o prazo de validade.
  • Se a escolha exibida corresponde ao que você quer autorizar.

A regulamentação exige consentimento prévio, específico e informado. Não vale presumir sua autorização nem substituí-la por uma aceitação genérica sem a escolha correspondente. Se a tela não combina com o serviço que você procurou, volte e confira o percurso antes de continuar.

Não adote doze meses como prazo universal. A Resolução Conjunta nº 7/2023 passou a permitir prazos maiores, conforme explica o Banco Central em seu comunicado de outubro de 2023. O que você precisa verificar é a validade apresentada naquele consentimento.

Como revogar uma autorização

O Banco Central informa que você pode cancelar o compartilhamento a qualquer momento, pelos canais digitais das instituições envolvidas. Abra o aplicativo ou site oficial e procure a área de gestão do Open Finance ou dos consentimentos. Confira o destinatário, as contas e os dados antes de escolher a autorização que deseja revogar.

Depois de concluir, verifique o estado exibido e guarde a confirmação. Se houver mais de uma autorização, revise cada uma: duas contas ou dois serviços podem estar associados a consentimentos diferentes. Anotar a data e o destinatário ajuda caso você precise pedir suporte.

Se não encontrar a opção, entre em contato com a instituição por um canal oficial e peça orientação para localizar e revogar o consentimento. Informe o serviço envolvido sem enviar senhas ou códigos de autenticação. Não confunda essa tarefa com cancelar uma assinatura paga do aplicativo; confira essa contratação separadamente.

O que muda em apps como Mobills e Organizze

Mobills e Organizze informam que usam a Belvo para suas integrações de Open Finance. O Mobills oferece a conexão nos planos Premium e PRO; no Organizze, ela pertence aos planos Conectado e Conectado Plus. As empresas descrevem um fluxo sem entregar a senha bancária ao aplicativo.

O compartilhamento pelo Open Finance é gratuito para o cliente, conforme o Open Finance Brasil. Isso não torna gratuitas todas as funções de um aplicativo que usa o sistema. A assinatura pode cobrar pela ferramenta de organização e pelos recursos do plano: compare essas duas coisas separadamente.

Antes de pagar, confira se o banco, o cartão e o tipo de conta de que você precisa são atendidos. Teste também a atualização das informações. Uma conexão autorizada resolve a obtenção dos dados previstos, mas você ainda precisa verificar se a visão que o aplicativo oferece ajuda no seu planejamento.

Se preferir organizar sem conexão

Você pode começar com os próprios extratos e uma planilha de orçamento. Anote receitas, despesas e os pagamentos que ainda vão vencer, sem esquecer compras feitas em dinheiro. Depois use a calculadora do mês para reunir os valores.

Esse caminho exige manter os registros em dia. A escolha faz sentido se você prefere decidir o que anotar ou tem poucas movimentações para acompanhar. Quem precisa reunir muitas contas pode dar mais peso à atualização automática, avaliando a autorização e a cobertura oferecidas.

Use sempre os canais oficiais das instituições. O Open Finance Brasil orienta a não compartilhar senhas e a desconfiar de pedidos recebidos por mensagens, ligações ou links desconhecidos. Confira o processo dentro do aplicativo ou site que você abriu por conta própria.

Papirer para registrar sem ler o banco

O Papirer é para iPhone e não tem versão para Android. Você registra gastos por voz, texto ou foto de um recibo; o app identifica valor, data e categoria. Ele mostra o ritmo do mês e considera os gastos fixos que ainda estão por vir.

São 30 lançamentos novos por mês no plano gratuito. O Pro elimina esse limite e acrescenta um relatório semanal com IA. O Papirer não pede credenciais bancárias nem importa movimentações automaticamente; os registros são sincronizados com sua conta e processados com IA. Você pode ver o Papirer na App Store se prefere esse método de registro, sem tomar a ausência de conexão como uma garantia geral de segurança.

Perguntas frequentes

O Banco Central guarda todos os meus dados?

O sistema não funciona como uma base central do BC com todos os dados compartilhados. As informações circulam entre instituições conforme o consentimento e os padrões do Open Finance.

Posso cancelar o compartilhamento?

Sim, o BC informa que a revogação pode ser feita a qualquer momento. Procure a gestão de consentimentos nos canais oficiais das instituições envolvidas e confira o estado depois de concluir.

Preciso usar Open Finance para controlar gastos?

Não. Você pode registrar os valores manualmente, em uma planilha ou em um aplicativo que permita esse uso.

Fontes

  1. Banco Central: entender o Open Finance, segurança e gestão pelo cliente.
  2. Banco Central: Resolução Conjunta nº 1, texto consolidado consultado.
  3. Banco Central: renovação e prazo dos consentimentos, outubro de 2023.
  4. Open Finance Brasil: perguntas frequentes e orientações de segurança.
  5. Mobills: conexão com Open Finance.
  6. Organizze: Open Finance.

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